Astrônomos exigem limitação de satélites em órbita a 100.000 para evitar poluição visual
Um estudo do Observatório Europeu do Sul alerta para as graves consequências para a ciência astronómica do lançamento de mais de 1,7 milhões de satélites.

Astrônomos exigem limitação de satélites em órbita a 100.000 para evitar poluição visual
A conectividade global à Internet através de megaconstelações de satélites em órbita baixa revolucionou o acesso à informação em áreas rurais e de difícil acesso. No entanto, esta rede digital espacial está a causar um forte conflito científico. O Observatório Europeu do Sul (ESO) publicou um relatório abrangente apelando aos órgãos reguladores globais para limitarem drasticamente o número de satélites em órbita ativa.
O estudo alerta que, se os lançamentos planejados pelas empresas de telecomunicações, totalizando mais de 1,7 milhão de satélites, se concretizarem, a astronomia observacional terrestre ficará praticamente inutilizável devido ao ruído da poluição luminosa espacial.
O impacto em telescópios terrestres de última geração
As megaconstelações de satélites interferem diretamente na ciência espacial em três áreas críticas:
- Traços brilhantes de luz: As superfícies metálicas e os painéis solares dos satélites refletem a luz solar de volta para a Terra, arruinando as imagens do céu profundo.
- Interferência de radiofrequência: As emissões de microondas destinadas a fornecer internet terrestre por satélite saturam as bandas usadas pelos radiotelescópios.
- Perda de alertas de asteroides: A obstrução visual dificulta a detecção precoce de objetos próximos à Terra (asteróides potencialmente perigosos).
O dilema entre conectividade e ciência
A comunidade científica propõe limitar as constelações globais a um máximo de 100.000 satélites, exigindo também o desenvolvimento de revestimentos que absorvem luz e a partilha de efemérides dinâmicas de satélite para que os telescópios possam pausar momentaneamente as suas venezianas quando um satélite cruza o seu campo de visão.
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