Pemba, o robô humanóide que conquistou os Andes e agora aponta para o Everest
O robô humanóide Pemba, baseado no modelo Unitree G1 e adaptado a climas extremos, chega ao cume do Chimborazo e prepara-se para o Everest num marco histórico para a robótica de alta montanha.

#Pemba, o robô humanóide que conquistou os Andes e agora aponta para o Everest
A robótica de alta montanha deu um salto colossal. Em uma expedição histórica que desafia os limites da engenharia e da física, o robô humanóide Pemba alcançou com sucesso o cume do vulcão Chimborazo no Equador, atingindo uma altitude recorde de 6.263 metros acima do nível do mar.
Este marco, liderado pelo engenheiro espanhol Pablo Berlanga e pela organização científica Geologic Dome, faz parte do ambicioso projeto "Tríplice Coroa", que busca demonstrar a viabilidade da tecnologia humanóide para tarefas de conservação ambiental, resgate em montanhas e monitoramento de mudanças climáticas.
Adaptando um Unitree G1 a condições hostis
O robô Pemba foi desenvolvido com base comercial no modelo Unitree G1, mas recebeu profundas modificações técnicas para sobreviver aos rigores das altas montanhas:
- Isolamento térmico: Revestimentos especiais para proteger servomotores e baterias de temperaturas abaixo de zero que normalmente congelariam os lubrificantes tradicionais.
- Baixa Pressão: Ajustes nos sistemas de resfriamento e dissipação de calor para operar em atmosferas extremamente finas.
- Navegação Adaptativa: Algoritmos de equilíbrio atualizados para corrigir a marcha em gelo solto, rochas íngremes e terrenos instáveis.
Durante a expedição Chimborazo, o robô demonstrou uma autonomia impressionante ao caminhar de forma independente em trilhas com declives inferiores a 30 graus. Porém, em trechos de escalada técnica extrema, ele ainda necessitava do auxílio e transporte físico de sua equipe de apoio humano.
Everest e o vácuo regulatório no Nepal
Depois do sucesso andino, o próximo grande objetivo de Pemba é o mítico Monte Everest. Contudo, o desafio no telhado do mundo não é apenas climatológico, mas também burocrático.
As autoridades nepalesas estão atualmente a avaliar o pedido de expedição devido a uma lacuna regulamentar. O governo nepalês deve conceber um quadro jurídico que permita dispositivos robóticos autónomos nas movimentadas rotas de escalada do Everest, avaliando os riscos de acidentes, o impacto ambiental e quais as medidas a tomar caso uma máquina falhe e fique presa a mais de 8.000 metros na “Zona da Morte”.
O avanço de projetos como Pemba redefine a relação entre humanos e máquinas na exploração de ambientes extremos, abrindo portas para operações de resgate mais seguras, sem colocar vidas humanas em risco.


